sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Setenta dias fora da Ribeira e mais dois deliverys para meu currículo


Com a crise da Europa afetando a vida global, a Ribeira Adventure Club não ficou de fora. Especialmente nós que recebemos principalmente velejadores Europeus. A saída é buscar a vida em outros lados. Por conta disto fui fazer o que mais gosto: TRANSPORTAR EMBARCAÇÕES A VELA ( Delivery´s Boats ).


O primeiro foi um Samoa 29 de nomeTaranis que estava em Salvador-BA e foi vendido para Rio das Ostras-RJ. Deixei a Ribeira Adventure Club  em 11 de novembro de 2011 , um dia depois do meu aniversário com destino a Salvador-BA  deixando mais uma vez a Concita a frente dos trabalhos na Ribeira. O que era para ser um trabalho de 12 dias no máximo se prorrogou por longos 39 dias. O Taranis estava a muito tempo parado e por conta disto tinha vários problemas para serem sanados antes de se fazer ao mar. Passei os primeiros 10 dias no Saco da Ribeira em Salvador somente tentado colocar o barco em condições. No check-list que fiz no dia 11Nov11 constatei 30 itens que precisava ser sanados ou providenciados para poder zarpar. Este é um dos principais problemas desta profissão. 99% dos Veleiros não navegam ou navegam muito pouco, ficando abandonados em marinas se deteriorando ao sabor do tempo. A maioria destes também não estão preparados minimamente para fazer uma travessia oceânica mesmo que costeira. Outro problema muito comum, também, é que os proprietários normalmente não tem conhecimento e muito menos querem gastar suas economias em questões de segurança. Para eles, os seus barquinhos estão sempre aptos a singrar os mares e você passa por um despreparado e oportunista querendo lhes tirar dinheiro. Terminei zarpando de Salvador no domingo, dia 20Nov11 com mais 02 tripulantes pagos que consegui através da internet e um amigo do novo proprietário do barco. Ao ligar o motor consertado a pouco menos de dois dias a primeira surpresa: o motor não arranca. Depois de ligar ao mecânico e esperar mais de duas horas sem ele aparecer, resolvi meter a mão e ver o que estava acontecendo. Descobri que o problema inicial não tinha sido resolvido. Entrava agua salgada pela mufla para dentro do cilindro. Resolvi o problema de forma paliativa e seguimos rumo sul. Com 7 horas de travessia estávamos quase na altura de Morro de São Paulo.Já havia anoitecido e o vento se mantinha de sul. Depois de consultar a tripulação, democraticamente decidimos entrar em Morro de São Paulo para pernoitar. O motor mesmo funcionando vibrava muito e além disso com os seus escassos 10 HP não rendia quase nada no mar aberto me fazendo ficar preocupado. Muitos problemas enfrentados de toda ordem, depois de 39 dias e arribar em Camamu-BA, Ilhéus-BA, Abrolhos-BA, Caravelas-BA, Barra do Riacho-ES, Vitória-ES, Marataízes-ES e finalmente Rio das Ostras-RJ, finalmente entreguei o Taranis são e salvo ao seu novo proprietário.

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Novidades na Ribeira : Confecção da escada de acesso

Colocando os degraus na escada...
Trabalho de solda eléctrica

Demorou mas saiu!!!! Depois de quase um ano de meio usando uma escada normal finalmente conseguimos confeccionar uma escada mais decente para o acesso a Ribeira . Foram dois meses de trabalho em total. Trabalhos de solda na estrutura metálica e depois marcenaria na rampa e degraus e ainda por último pintura. A satisfação é grande depois de ver o trabalho concluído. A idéia inicial era confecciona-la toda em madeira, mas depois de orçar terminamos nos decidindo por a estrutura em metal , bem mais barata. A escada velha depois de servir como pau de carga para içar um motor Perkins que foi desmontado quebrou . Agora um pouco menor que o tamanho original e devidamente reparada ainda nos serve para outros trabalhos. A cada novo trabalho , novas habilidades foram adquiridas como os trabalhos com solda eléctrica que  até então não havia feito. A lista de tarefas nunca diminui mas aos poucos vamos eliminando uma a uma. Trabalhando normalmente eu e a minha companheira Concita, temos uma rotina dura de trabalho por aqui. Normalmente começamos por volta das 08:00 horas e vamos até o anoitecer realizando várias tarefas .

sábado, 3 de setembro de 2011

Ribeira Adventure Club em Obras


Depois de 40 dias fora da Ribeira em um Delivery de Portugal para o Brasil retornamos com um pouco de capital para dar seguimento aos melhoramentos  necessários a Ribeira . A lista de tarefas é grande e algumas das prioridades estão sendo executadas no momento. Colocação de mais um pilar de sustentação dos flutuantes, pintura dos flutuantes, reconstrução e aterro do muro  de contenção. No setor do Clube de Aventuras adquirimos um fogão de 04 bocas, um freezer e uma maquina de lavar para dar melhor conforto aos nossos aventureiros.A luta é árdua mas seguimos empenhados em tornar a Ribeira um acochegante espaço para a galera que curte esportes de aventura.

sábado, 30 de julho de 2011

Delivery Boat - Porto de Leixões/Portugal a Casablanca/Marrocos

O mundo é pequeno e aqueles que navegam percebem isto mais do que ninguém. E entre 2007-2009 quando estive perambulando pelo Caribe com o Tritton conheci  Kazumi, um Japones-Portugues-Brasileiro que tambem vivia a bordo de um veleiro. Juntamente com outro Paulista perdido por ali formamos o trio " Ralé do cais do Porto".  Erámos , sem dúvida os mais pobres velejadores daquelas paragens. O tempo passou, o mundo deu algumas voltas e velha expressão deu as caras novamente. Recém chegado de uma travessia que me afastou da Ribeira por quatro meses, em uma manhã de Junho recebi um email do aflito Kazumi desde Leixões, Portugal. Estava em apuros por lá devido a problemas com seu passaporte vencido e a falta de habilitação para estar singrando mares como vem fazendo a mais de 7 anos. Precisava urgente de alguém com habilitação de Capitão para lhe tirar do apuro. Lá vou eu novamente para o mar, desta vez para socorrer um amigo de sempre. Um dos três dar Ralé do Cais do Porto estava em apuros. Como já havia deixado minha companheira Concita sozinha na Ribeira por um tempo largo, resolvi levá-la junto. Embarcamos para Lisboa e dai de trem chegamos ao norte de Portugal, mais precisamente em porto Leixões. Mais de três anos sem ver a figura, chegando lá fomos direto a um bar para comemorar o reencontro. Lá entre copos do bom vinho Português ele me contou detalhes dos últimos acontecimentos.Fazia tempo já que não tinha seus documentos em ordem. Perdeu nas andanças pelo Caribe- Brasil-Africa e ao arribar ao porto de Leixões para consertar um problema elétrico foi apreendido por portar pasaporte vencido ( ele e a amiga) e não possuir habilitação para navegar ( nenhuma mesmo). Os dias que se passaram entre vir um documento me autorizando a velejar o Benneteau Oceanis 39 de bandeira Espanhola de um amigo dele até Brasil foram preenchidos com passeios gastronomicos pelos restaurantes de Leixões e a cidade do Porto . Foram 15 dias provando os mais variados pratos da culinária Portuguesa  regado a muito vinho.Numa segunda feira ventosa zarpamos com destino a Brasil com escala prevista para Mindelo, Cabo Verde antes de empreender a travessia do Atlântico. Com ventos fortes de norte fomos avançando somente com a genoa rizada interrompidos a cada tempo pelo alarme do piloto elétrico que desarmava cada vez que uma onda maior atingia o barco por sua aleta de boreste. O veleiro de " Marina" não estava preparado para grandes travessias. A mestra apesar de ter 03 rizos, todos eles eram insuficientes para enfrentar os fortes ventos de norte que soprava neste verão europeu. Não tínhamos outra alternativa se não usar a genoa enrrolada a menos de 30% e ainda assim enfrentar o stress de ter o piloto desarmando a cada instante. O barco seguia rumo sul a cerca de 15 milhas da costa de Portugal a um ritmo de 130 milhas/dia devido ao mar que se encontrava bastante grande. No quinto dia pela manhã depois de passar um noite horrível com ventos de 40 nós e mar de 4 metros. Pela manhã resolvi inspecionar o barco atras de alguma sequela da noite passada. Qual não foi a minha surpresa quando vi o eixo do leme sambando e borbulhando agua cada vez que o veleiro adernava no seu balanço natural nesta empopada desde Portugal. Estavamos a 120 milhas da costa de Marrocos neste momento e depois de uma rápida reunião entre eu e o Kazumi consegui convence-lo a arribar imediatamente em Casablanca, o porto mais próximo. Com o coração na mão e checando a cada tanto fomos avançando a 4,5 nós encurtando distancia entre a eminencia de afundar e o porto de Casablanca. Felismente depois de pouco mais de 24 horas após entravamos contentes no porto de Casablanca ainda flutuando. Termina aqui mais um delivery boat cheio de grandes emoções como deve ser uma ida ao mar.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Integrantes do 1º Cruzeiro Costa Nordeste Visitam a Ribeira Adventure Club

Organizado pelos velejadores de Natal o1º Cruzeiro Costa Nordeste deu a largada no dia 06 de janeiro último de Natal. Com paradas previstas na Paraíba, Pernambuco, Alagoas e Bahia, sete veleiros zarparam  com destino a Paraíba, primeira parada da Flotilha. Os velejadores  não tiveram sorte e já na primeira etapa velejaram com vento sul na cara além da corrente contra. Alguns barcos sofreram avarias e tiveram que retornar para consertos. No domingo, dia 09 de janeiro recebemos a visita de alguns velejadores aqui na Ribeira Adventure Club para um bate-papo informal. Os tripulantes confraternizaram a sombra do cajueiro enquanto contavam as histórias da primeira perna do Cruzeiro. O Evento em principio se dará a cada dois anos aproveitando o grande número de velejadores que sobem do sul do Brasil e Argentina através do Cruzero de la Amistad, Cruzeiro Costa Sul, Cruzeiro Costa Leste, Rally Salvador-Recife e a REFENO . Entre outros assuntos aproveitamos para estreitar os laços de amizade e reinterar a nossa intenção de ser mais um ponto de apoio do Cruzeiro Costa Nordeste.

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Primeiro Ano na Paraíba

O tempo passa rápido e hoje, 28 de dezembro de 2010 completo um ano aqui na Paraíba. Se nós tivéssemos como prever o futuro, tudo, a meu ver perderia a graça. Somente na minha terceira passagem por aqui já com mais de 5 anos velejando entre costa do Brasil, Costa nordeste-norte da America do Sul e Caribe pude ver com os outros olhos a Paraíba. Na primeira vez, quando ainda não conhecia sequer o Nordeste e aportei em Cabedelo, vindo de Fernando de Noronha, tinha somente um objetivo na minha mente: Comprar o meu veleiro para poder seguir no meu plano de ficar pelo menos um ano vivendo a bordo. A Paraíba para mim se resumiu a curtir a festa de confraternização no então Iate Clube da Paraiba, confraternizar com os outros velejadores e organizar o Antares para rumar para Ubatuba onde ele seria entregue ao proprietário. Na segunda oportunidade em que arribei foi vindo de Salvador com destino ao Caribe, velejando no meu próprio veleiro, o Tritton ( Brasília 32) que havia adquirido com  meu próprio esforço. Também desta vez a Paraíba foi apenas uma parada para curtir. Cheguei aqui trazendo uma tripulante Paraibana e com a ajuda dela pude conhecer melhor o litoral e outros aspectos da Região mas ainda sem despertar nenhum um sentimento mais profundo. Na terceira e derradeira parada em 28.12.2010 foi diferente, algo já havia mudado dentro de mim. Meu sonho de viver a bordo de um veleiro já havia se concretizado além das expectativas. Velejava rumo sul com outro pensamento. Uma etapa de minha vida já havia terminado e neste momento buscava suporte para uma outra etapa que vinha se desenhando na minha mente. Precisava pela primeira vez colocar o pé em terra, me organizar, ganhar fôlego para empreender novos desafios. Depois da experiência de navegar mais de 15 mil milhas desde que deixei Porto Alegre em jul-2005 sempre com poucos recursos financeiros, estava cansado de ter que matar um leão a cada dia para manter o meu sonho.  Então, nesta última parada aqui na Paraíba tinha além da questão básica da sobrevivência um olhar voltado para novas oportunidades que não fossem somente para seguir flutuando ao sabor dos acontecimentos. Tinha em mãos uma nova habilitação e entre outras possibilidades buscava um trabalho como Moço de Convés ( STCW 78 - ordinary seaman). Buscava um trabalho como profissional em alguma embarcação comercial para poder aos poucos injetar algum dinheiro no meu valente companheiro de aventuras , o Tritton (Brasilia 32 ) que estava cada vez mais sucateado. Com uma semana ancorado na praia fluvial do Jacaré já tinha feito varios contatos e foi quando surgiu meu primeiro trabalho como profissional. Comecei a trabalhar em um catamaram de passeio de 60 pés e capacidade para até 180 passageiros. O barco estava em fase final de construção , faltando ainda vários itens para ganhar a licença da capitania dos portos. A história não foi muito adiante pois o armador estava quebrado e totalmente sujo na praça. Foi neste período que descanso forçado que descobri a apenas uma milha de onde estava a Ribeira. Foi desta forma que meu destino deu uma virada e terminei transformando a Paraíba no meu porto principal em 01Abr10.